Os reajustes nas tarifas de energia elétrica em 2026 já atingem ou devem atingir cerca de 35 milhões de unidades consumidoras no país, o equivalente a quase 40% do total, ainda no primeiro semestre. Os dados são de um levantamento baseado em informações da Agência Nacional de Energia Elétrica e mostram aumentos que, em muitos casos, superam a inflação e chegam a dois dígitos.
Distribuidoras de grande porte concentram parte significativa desses reajustes. Empresas como CPFL Paulista, Coelba, Enel Rio e Copel registram aumentos que variam de cerca de 12% a mais de 19%, dependendo da área de concessão. O cenário chama atenção porque está acima da previsão média de 8% de alta tarifária indicada pela própria Aneel para este ano.
Em algumas regiões, no entanto, os reajustes foram menores. No Norte e Nordeste, mecanismos como a antecipação de recursos ligados ao Uso de Bens Públicos (UBP) ajudaram a conter os aumentos, mantendo-os em um dígito. Já no Sul e Sudeste, onde esse tipo de medida teve menor impacto, os aumentos aparecem de forma mais direta nas contas dos consumidores.
Além das diferenças regionais, fatores estruturais do setor elétrico também influenciam nos reajustes. Entre eles está o aumento de encargos como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia políticas públicas e é custeado pelos próprios consumidores por meio da tarifa de energia.
Mesmo com algumas tentativas de suavizar os impactos, a tendência é de pressão contínua nas contas de luz ao longo do ano, refletindo custos do sistema elétrico e decisões regulatórias.
Fonte: Rádio Cidade